“Lembro-me das suas lágrimas e desejo muito ver você, para que a minha alegria seja completa.” (1 Tm 1:4)
Nos últimos dias, descobri um paradoxo muito comum na vida: o “bom, mas triste”. Há coisas que, embora não sejam ruins, acabam, de alguma forma, nos entristecendo. Claro, existem muitas mais coisas boas e felizes, mas algumas, em especial, conseguem nos ferir — como as rosas e seus espinhos.
Lembra-se de quando você estava no terceiro ano do ensino médio e o ano chegou ao fim? Seu grupo de amigos vivia aqueles dias dourados, repletos de risadas e brincadeiras. Então, o último semestre terminou, e todos foram aprovados, um momento de alegria e comemoração. Porém, logo veio a consciência de que, no próximo ano, cada um seguiria seu próprio caminho, e a harmonia do grupo seria desfeita. Foi bom passar de ano, mas triste, pois a intensidade daquela amizade não seria mais a mesma.
É como quando um amigo querido se casa. Você se alegra por ele, sabendo que o casamento o fará muito feliz, mas no fundo, uma tristeza surge, porque sabe que ele estará cada vez mais ausente. Não é que você esteja contra a união, ou o inveje, mas, ainda assim, aquilo te fere lá no fundo. Jesus fala sobre este mesmo exemplo ao se referir a sua própria partida (Mt 9:15).
Ou, como o casal de namorados que se despede em uma noite chuvosa. Os olhos flamejantes e os sorrisos sinceros sugerem que aquele momento deveria durar mais, mas ambos sabem que, se ficarem mais tempo sob a chuva, uma gripe indesejada pode impedi-los de se ver por mais tempo. Então, o namorado se despede, corre para casa, e, mesmo são e salvo da chuva, já sente saudades. Que bom, mas que triste.
A vida é temperada por esses contrastes. Afinal, aqui não é a Terra do Nunca, e até mesmo lá, Wendy teve que partir o coração de Peter Pan ao trazer um pouco de juízo. Andy Bernard, o icônico personagem de The Office, eternizou esse sentimento ao dizer: “Queria que houvesse uma maneira de saber que você está nos bons velhos tempos antes de realmente deixá-los para trás.”
Isso me lembra que, até mesmo as melhores histórias, aquelas com finais felizes, precisam de algumas lágrimas para serem completas.
“Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo.” — 2 Tm 4:6
Em sua carta de despedida a Timóteo, o Apóstolo Paulo reconhece que seu tempo na terra estava chegando ao fim. É possível sentir o peso de suas palavras ao dizer adeus àqueles que amava. No entanto, ele também demonstra a determinação de seguir para o lar.
“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” (2 Timóteo 4:7-8)
Sua partida era certa, mas também vinha acompanhada da sensação de missão cumprida. O que mais perturba um homem perto do fim? As tarefas inacabadas? As mágoas não resolvidas? Ou o medo do desconhecido? Pode ser assustador bater na porta ao fim do corredor escuro, sem saber quem irá abri-la. Mas Paulo tinha a convicção de que as lágrimas de despedida não se comparavam com o que viria após o adeus.
“Procura vir ter comigo depressa” (2 Timóteo 4:9)
Quem sabe, após um último abraço? Após palavras de despedida, desajeitadas e mal ensaiadas, onde muito fica por dizer.
“Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério.” (2 Timóteo 4:11)
E quem sabe, antes do fim, seja hora de se reconciliar, de resolver desentendimentos passados e cuidar das últimas questões do ministério. Deixar a casa em ordem antes da partida.
“Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos.” (2 Timóteo 4:13)
Com sorte, ainda haverá tempo para uma última leitura, para investir os últimos esforços naqueles projetos pendentes. Quanto conhecimento ficou para trás?
“E o Senhor me livrará de toda a má obra e me guardará para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém.” 2 Timóteo 4:18
Ah, Timóteo, essas lágrimas ferem-me sim, são tristes, mas logo chegará o momento bom, pelo qual tanto esperei, quando Ele mesmo as enxugará.
4 Comments
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Que texto incrível!
Nunca parei para pensar por essa perspectiva. Estou muito feliz por ter lido tudo isso!
Muito lindo e emocionante
As melhores coisas é com sacrifícios, lágrimas, tristeza , despedidas tudo isso faz parte da vida é a beleza ,a alegria de sabemos que estamos aqui só de passagem mas enquanto estivemos aqui vamos apreciar todos os pequenos detalhes que faz a vida ser mais bela……
A alusão dos paradoxos da vida feita com os exemplos da vida comum, destacados na Bíblia, mas que retratam muito bem certos momentos simbólicos para qualquer um, é, de longe, uma perspectiva única e especial; a qual, na minha opinião, todos deveriam perceber naturalmente. Gosto disso, gosto como é tratado, visto e descrito… Que bom que escreveu, meu caro! Sem dúvidas, é muito edificante esse ponto de vista e pensamento.
Incrível como os detalhes se revelam e se tornam mais cintilantes nas lembranças. O senso de fim nos faz prestar mais atenção a esses momentos da vida. Carregar uma esperança maior nos consola diante da dor e da saudade, mas não nos isenta totalmente delas enquanto ainda estamos aqui. Olhar para frente e aguardar a vinda dEle é o que de fato alegra meu coração de forma completa, e não incompleta.